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Cânhamo na moda

Nos últimos anos percebe se um aumento em marcas que estão utilizando a fibra do cânhamo para desenvolver produtos têxteis, que também são conhecidos por hemp.

As roupas com o selo hemp são associadas a algo alternativo, as marcas utilizam de processos naturais e artesanais para a produção das peças.

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O cânhamo é biodegradável e também uma das mais resistentes entre as fibras têxteis naturais, as peças confeccionadas têm um ótimo isolante térmico, são quentes no inverno e frescas no verão e também bloqueiam os raios ultravioletas de forma mais eficiente.

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A fibra de cânhamo é áspera, mas com os avanços tecnológicos ela passa por processos que a tornaram mais fina e macia, assim se tornou uma nova possibilidade para a indústria da tecelagem.

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A Envio Textiles que fica nos Estados Unidos é uma pioneira em tecidos sustentáveis e importadora de 100 tecidos com cânhamo, muitos deles já são usados por marcas famosas como a Versace e Ralph Lauren.

A indústria têxtil está começando a influenciar na criação de produtos com consciência de sustentabilidade. È um processo lento, mas não é impossível deixar um impacto de positividade através das nossas compras.

Braintree Clothing fundada pelos amigos John e David na Austrália, começou com coleções cápsula feitas com hemp ( Cânhamo), roupas naturais com design bacana. Hoje a marca tem linhas feminina e masculina, com vestidos, moletons, túnicas, jaquetas, camiseta e bermudas.

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A marca Shift Nature trabalha com cânhamo, algodão orgânico,bambu e outras fibras naturais. Confeccionam roupas de cama com design minimalista e oferecem informações de origem e processos sobre as peças compradas.

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Por Elizangela Gomes, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 e 15

Ateliê vs. Confecção

O mercado de moda possui um leque de opções que se abre cada vez mais.  Assim como em qualquer profissão é preciso ter muito conhecimento e dedicação para executar um bom trabalho.

Muitos ingressantes no mercado de trabalho no meio fashion tem dúvidas por onde começar, já explicamos aqui como construir aos poucos uma carreira sólida, agora explicaremos os dois tipos distintos de mercado e suas funções específicas; o ateliê e a confecção.

O ateliê tem o intuito de fabricar e criar peças exclusivas como vestidos de noivas e festas de gala, ternos e costumes, todas sob medida.

A criação de tais peças, em sua maioria é feita e esboçada na hora, enquanto o estilista conversa com o cliente.

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A confecção segue o caminho contrário, é o que chamamos de fast fashion, peças iguais fabricadas em massa (grande e exagerada quantidade) podendo até gerar desperdício de material no fim da estação pela quantidade exagerada de peças confeccionadas.

O papel do estilista em confecção de grande ou médio porte é pesquisar tendências e apropriá-las a um público alvo através do croqui e do desenho técnico.

“Estilista de confecção ou de ateliê exige conhecimento técnico, pois temos que estar preparados para seguir o briefing do cliente e, nem sempre, o estilo solicitado é aquele que mais nos agrada, mas é preciso buscar adequação do trabalho pra cada cliente e estabelecer a linguagem correta para cada situação. Defina quais as áreas de maior afinidade com seu trabalho e faça contatos.  É preciso ser persistente e saber tirar proveito das críticas.” – Diz Cris Pimentta, bacharel em Moda, técnica em estilismo e pós-graduada em Gestão do Design na Indústria da Moda

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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1 e  Apostila de Estilo Sigbol Fashion.

Slow Fashion

O fast fashion como conhecemos (aqui e aqui) está com os seus dias contados, ou para os menos radicais, sua demanda tem sido escassa. Como diria Vivienne Westwood compre menos e escolha bem, qualidade é melhor que quantidade.

A indústria da moda está produzindo 52 “micro-estações” por ano. Com as novas tendências que saem a cada semana, o seu objetivo é para que os consumidores comprem tantas roupas quanto possível, o mais rápido possível. Em sua maioria, são confecções que utilizam o trabalho escravo e meios nada sustentáveis, na verdade super poluentes, a fabricação de UMA calça jeans, por exemplo, consome mais de 10 mil litros de água.sobre-slow-fashion

Em contra partida a produção de roupas massivas e de baixa qualidade, há salvação, o movimento slow fashion, (moda lenta) defende a criação de peças atemporais, feitas à mão, com tecidos naturais e duráveis além da produção em baixa escala e em locais que funcionam mais como ateliês do que como indústrias.

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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1

Voltando às origens – Moda e Arte na contramão do fast fashion

A evolução pela qual passou a moda em toda a sua história, e o “boom” capitalista que se tornou, se deve à revolução industrial e a produção em massa. Antes disso, os processos eram artesanais, envolvendo arte, sonhos, mãos habilidosas, pensamentos vagando entre agulhas e toda a sensibilidade que isso provoca – Não que hoje isso não exista mais, mas os processos industriais dominam e muitas vezes, bloqueiam um pouco o criativo, em uma corrida por produção, vendas exorbitantes e lucro imediato.

Enquanto isso na contramão, sobrevivem artesãos, costureiras, alfaiates, bordadeiras, crocheteiras entre outros profissionais que, mantendo tradições, sem pressa nem atropelos, mantém viva a arte da encomenda, do sob medida, da produção artesanal.

E não pensem que os sobreviventes são as vovós e titias! Despontou agora um movimento de “Slow Fashion” em que a produção artesanal tem superado a ansiedade por vendas e driblado a estrutura escravocrata, e dois nomes despontaram nessa trilha: Gabriel Pessagno, com seus bordados e Gustavo Silvestre, com seus crochês.

Gabriel Pessagno cursou moda  e após passar pelas estruturas rígidas da indústria, montou uma marca (River) e, insatisfeito, optou por pesquisar o trabalho feito nas maisons e deciciu que queria trabalhar cada peça de roupa artesanalmente.  

Gabriel já fez bordados para a marca Tilda, para ateliês de moulage e está iniciando sua produção. Assim, o garoto que fez roupas bordadas com parafusos, porcas, entulhos e pedaços de ferro velho para o TCC de seu curso de moda, está só no começo de uma carreira que promete deslanchar com muita sensibilidade e sucesso.

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            Gustavo Silvestre é natural do Recife, fez diversos cursos na área, ganhou prêmio de moda em Brasília e participou da Casa dos Criadores. “Até que fui pra China, havia uns investidores interessados no meu trabalho, a ideia era baratear a produção, que sempre teve essa coisa do manual, da estampa à mão. Voltei decepcionadíssimo. Ver aquela quantidade de roupas sendo feita, eles me perguntando ‘quantos contêineres você vai querer’, a estrutura deu um nó na minha cabeça”, conta o estilista. E após parar, repensar e respirar, acabou descobrindo uma nova trilha, e com a Stylist Chiara Gadaleta, do projeto Mãos do Brasil, mapeou comunidades de artesãos e com isso, acabou pegando gosto pelo crochê e resolveu aprender a técnica. Gustavo se diz muito mais realizado agora, atendendo com hora marcada e divuldando sua obra pelas redes sociais, “Eu não tenho escravo, está bem mais prazeroso. Ganhei uma cadeira de balanço, sento lá e se deixar, passo o dia me balançando e fazendo crochê”, conta. O estilista que já vestiu Karina Bu, Céu e Vanessa da Mata, agora prepara uma coleção de jóias de crochê para a estilista Adriana Barra.

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Por Camilla Capucci – Professora do núcleo de moda da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2 e 3.