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Você é um(a) gótico(a) suave?

Em tempos difíceis como o que estamos vivendo, com crises econômicas e ambientais, conflitos religiosos, intolerância e desigualdade, o preto sempre ressurge como tendência em forma de luto e reclusão ao caos.

“Para confrontar os maiores medos da sociedade, incorporamos a escuridão.” Tal ideologia é adepta de várias subculturas, em sua maioria a punk e sua vertente que mais caracteriza o look total black, o gótico.

Os góticos propriamente ditos (que usam o preto e outros elementos como estilo e não como tendência), são apreciadores da arquitetura e das artes produzidas na Idade Média, da literatura entre os séculos 18 e 19 e da música que traz em suas letras e ritmo o grotesco e a densidade do macabro.painel1

Derivações desta vertente surgiram recentemente, fazendo emergir das redes sociais um “subestilo”, o pastel goth, este acrescentando as características já existentes elementos designados kawaii (expressão muito usada no Japão, pelos jovens, adeptos da cultura pop que qualifica algo como infantil e fofo).

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As características citadas acima fazem parte de vertentes e/de subculturas que as usam como estilo de vida.

O termo “gótico suave” surgiu com a aparição da cantora Lorde no mundo e mídia pop, a qual segue um estilo de looks sóbrios de cores escuras e modelagens amplas, que a destoa dos outros jovens e artistas, isso não significa que a mesma SEJA gótica.tumblr_ng16qo8Q2m1rlt5o0o1_500

Isso mostra como a moda e a música sempre andaram juntas, isso ocorre principalmente quando uma tendência precisa ser vendida e aceita pela massa (grande público), neste caso o preto! E para que isso aconteça artistas mostram essas tais tendências em forma de estilo, como um produto com apelo de novidade e isso muitas vezes leva a um retrocesso ao amenizar a essência de estilo de vida de um grupo de pessoas (como suavizar o gótico para que este seja mais aceito)

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Por Mayara Behlau, professora no Núcleo de Criação da Sigbol Fashion

Referências: 1 e 2

Ilustração de Moda: Mercado, demanda e diversas possibilidades…

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“Minha mãe dizia que eu tinha jeito para desenho, e resolvi tentar ganhar dinheiro com isso… Normalmente é assim que muitos ilustradores começam a carreira, e muitos se deram bem, o que leva a crer que, na maior parte das vezes as mães estão mesmo certas. Mas ser ilustrador não depende só da vontade, do talento e do empurrão inicial da mãe, depende também de dedicação, de persistência e paciência, de muito estudo, da necessidade de ler e ver muito sobre arte, cinema, literatura, cultura geral, além de conhecimento teórico e prático do rabisco.”

 (Guia do Ilustrador – Ricardo Antunes)

A ilustração de moda, apesar de um pouco esquecida desde os anos 90, começa a retornar a cada dia com força total. Mas o que é uma ilustração?

Levemente diferente do croqui de moda (um croqui também pode ser uma ilustração, mas uma ilustração nem sempre pode ser um croqui), a ilustração, de forma geral, remete a um desenho, produzido em óleo, aquarela, nanquim ou digital, por exemplo, para qualquer mídia, que tenha a função de acompanhar ou complementar texto ou anúncio. Muito comum até o início do século XX, quando nenhuma mulher, solteira ou não, se atreveria a posar para propagandas de ateliês, lojas ou estilistas, a ilustração de moda continuou a ser utilizada até meados dos anos 60. Mesmo após o aparecimento da figura da modelo fotográfica ou de passarela, e, apesar de continuar a ser veiculada até os anos 80, perdeu a força, e tornou-se arte somente utilizada para ilustrar livros da área, principalmente fora do Brasil.

Sem título-1Setor em crescimento no país, não somente na área editorial, mas principalmente na publicidade e no design de embalagens e marcas, a ilustração pode ser trabalhada em vários materiais. Em sua maioria, os ilustradores de moda, ainda hoje, costumam iniciar seus trabalhos à mão, com materiais como grafite, carvão, tintas aquarela e guache, nanquim e pastéis, depois passá-los para a mídia digital para acabamento, se for o caso. Hoje tratada como atividade freelancer (até os anos 80, era comum que as empresas tivessem em seus quadros um ilustrador especializado para o segmento), cabe a cada ilustrador analisar as necessidades dos clientes para definir o tipo e acabamento que deverão ser usados para um melhor resultado.

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Independentemente da forma do trabalho, entretanto, é indispensável que se tenha conhecimento técnico. Mesmo na mídia digital, o aproveitamento só é completo quando se tem o desenvolvimento das técnicas tradicionais e de novas ferramentas, pois noções de incidência de luz e sombra no corpo humano, caimento de tecidos, reflexão da luz e coloração são necessários para o desenvolvimento de todos os materiais.

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Além do setor editorial, o ilustrador de moda hoje tem um campo mais abrangente. Há alguns anos, vem crescendo a demanda das marcas por especialistas nessa área, principalmente para criação de estampas localizadas e corridas para seus produtos. Existem marcas especializadas somente em blusas, por exemplo, cuja criação de estampas varia de 50 a 200 peças diferentes por ano. Cases para Iphone e Ipad, criações de estampas para diversos objetos de decoração, além de notebooks, cadeados, e uma infinidade de outros produtos, também fazem sucesso e colaboram para o crescimento do mercado no país. E com público consumidor de design fashion em constante expansão e sempre mais exigente, a profissão tende a voltar a seu período áureo em pouco tempo.

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Por Haranin Julia Maria – Professora do núcleo de moda da Sigbol Fashion

 

Referência: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8