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Ateliê vs. Confecção

O mercado de moda possui um leque de opções que se abre cada vez mais.  Assim como em qualquer profissão é preciso ter muito conhecimento e dedicação para executar um bom trabalho.

Muitos ingressantes no mercado de trabalho no meio fashion tem dúvidas por onde começar, já explicamos aqui como construir aos poucos uma carreira sólida, agora explicaremos os dois tipos distintos de mercado e suas funções específicas; o ateliê e a confecção.

O ateliê tem o intuito de fabricar e criar peças exclusivas como vestidos de noivas e festas de gala, ternos e costumes, todas sob medida.

A criação de tais peças, em sua maioria é feita e esboçada na hora, enquanto o estilista conversa com o cliente.

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A confecção segue o caminho contrário, é o que chamamos de fast fashion, peças iguais fabricadas em massa (grande e exagerada quantidade) podendo até gerar desperdício de material no fim da estação pela quantidade exagerada de peças confeccionadas.

O papel do estilista em confecção de grande ou médio porte é pesquisar tendências e apropriá-las a um público alvo através do croqui e do desenho técnico.

“Estilista de confecção ou de ateliê exige conhecimento técnico, pois temos que estar preparados para seguir o briefing do cliente e, nem sempre, o estilo solicitado é aquele que mais nos agrada, mas é preciso buscar adequação do trabalho pra cada cliente e estabelecer a linguagem correta para cada situação. Defina quais as áreas de maior afinidade com seu trabalho e faça contatos.  É preciso ser persistente e saber tirar proveito das críticas.” – Diz Cris Pimentta, bacharel em Moda, técnica em estilismo e pós-graduada em Gestão do Design na Indústria da Moda

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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1 e  Apostila de Estilo Sigbol Fashion.

Move in the Right Direction!

Beth Ditto, cantora e compositora da banda Gossip, conhecida também pelo seu ativismo pelos direitos dos LGBTT’s, lançou em fevereiro deste ano sua primeira linha de roupas levando o nome da sua marca, resultante de uma ajuda colaborativa entre amigos depois de sentir a escassez e necessidade de ter roupas mais acessíveis nas lojas, já que veste tamanho 54.

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Não é a primeira vez que a música se envolve com o mundo da moda. Beth mesmo abriu o desfile de Verão em 2011 de Jean Paul Gaultier.

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Mais tarde em colaboração com o mesmo lançou camisetas inspiradas no lendário body em formato cônico usado por Madonna na turnê Blond Ambition Tour criado pelo mesmo estilista.de21587225a787d79308570ab6bae357 77ef9ed0562daaf1bd0294a2873f2570 97977708dec1a4ae743ab0fdd94b979f

Nesta coleção de estréia, Beth criou 21 looks que variam entre os tamanhos 48 e 60, de preços entre 65 a quase 400 doláres! Porém há um explicação para valores tão elevados: tudo é fabricado no Estados Unidos – diferentemente de outras marcas que terceirizam sua manufatura e até mesmo utilizando trabalho escravo na produção de suas roupas – os tecidos são de alta qualidade e suas peças não seguem tendências! Segundo Beth “merecemos a opção de comprar roupas produzidas de forma ética que durem, peças que fiquem incríveis estação após estação.”03_136r1-815x1024 04_185-815x102406_369-815x1024 07_483-814x1024 09_743-1024x814 10_890-1024x816 11_898r1-815x1024 13_1030-815x1024

Beth ao longo dos anos tem atingido notoriedade com sua imagem, primeiramente, ao que vimos, que possui um grande talento e visão mercadológica de moda e ética e em segundo lugar o seu senso de estilo mostrando ao mundo que mulheres gordas tem o direito de escolha do que vestir.

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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1 e 2

 

Slow Fashion

O fast fashion como conhecemos (aqui e aqui) está com os seus dias contados, ou para os menos radicais, sua demanda tem sido escassa. Como diria Vivienne Westwood compre menos e escolha bem, qualidade é melhor que quantidade.

A indústria da moda está produzindo 52 “micro-estações” por ano. Com as novas tendências que saem a cada semana, o seu objetivo é para que os consumidores comprem tantas roupas quanto possível, o mais rápido possível. Em sua maioria, são confecções que utilizam o trabalho escravo e meios nada sustentáveis, na verdade super poluentes, a fabricação de UMA calça jeans, por exemplo, consome mais de 10 mil litros de água.sobre-slow-fashion

Em contra partida a produção de roupas massivas e de baixa qualidade, há salvação, o movimento slow fashion, (moda lenta) defende a criação de peças atemporais, feitas à mão, com tecidos naturais e duráveis além da produção em baixa escala e em locais que funcionam mais como ateliês do que como indústrias.

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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1

E o Oscar vai para… Mad Max!

Na última semana do mês de fevereiro aconteceu o Academy Awards, mais conhecido como Oscar, a festa mais elegante e esperada pelos fashionistas e cinéfilos. E a expectativa começa algumas horas antes do grande evento, ainda no tapete vermelho com as atrizes e atores posando para fotos e comentando sobre a noite.

A algum tempo ocorreu a manifestação AskHerMore que basicamente consiste em perguntas mais profundas sobre carreiras e objetivos do que a grife que as atrizes estão usando.

No dia 28/02/2016 Mad Max foi o grande nome e vencedor da noite consagrado com 6 prêmios da academia.

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Um desses prêmios foi ganho pela estilista e figurinista Jenny Beavan, que causou alvoroço e muitos manifestos negativos quanto a roupa escolhida para a premiação que fugia do dress code exigido ao evento.

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Jenny concedeu uma entrevista a revista Daily onde foi questionada sobre o ocorrido:

 “Fico absolutamente ridícula em um vestido de gala e nunca uso salto pela minha dor nas costas. Eu amo vestir os outros e sei fazê-los ficarem bem!”

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#WinTheOscarLikeAGirl

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Por Mayara Behlau, professora do Núcleode Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1 e 2

O anti-fashion “glunge”

Rick Owens é atualmente um dos nomes mais polêmicos e talentosos no mundo da moda, a cada temporada renova sua estética e desconstrói os limites do meio fashion.

O estilista californiano nasceu e cresceu em um ambiente rural religioso do qual o mesmo afirma lembrar-se apenas das histórias e figurinos bíblicos. Atualmente Rick vive e trabalha no centro de Paris juntamente com sua esposa e inspiração Michele Lamy.

giphyA sua relação com Michele começou há mais de 20 anos, desde a época em que ele trabalhava criando estampas na fábrica que ela tinha em Los Angeles. “No final dos anos 90, depois que Rick largou as drogas e o álcool, foi Michele quem o salvou”, relembra o próprio.

Michele é francesa, ex-proprietária de um restaurante com inspiração nos antigos cabarets e ex-frequentadora das noites undergrounds de Los Angeles.

Seu estilo é excêntrico, conhecida por suas jóias conceituais e exacerbadas que enfeitam seus dedos tatuados. Rick a define como uma esfinge inspiradora de estilo glunge (glamour com grunge) que age de acordo com os seus instintos.
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O casal Rick Owens e Michele Lamy construiu o seu império vendo beleza na imperfeição das coisas,  uma grife cultuada do cenário underground anti-fashion, que enfatiza uma mensagem liberta de dogmas de beleza.

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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1 e 2