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Desfile de Moda is the new black

(A expressão “the new black” quer dizer algo novo, a tendência do momento.)

Um ambiente como o de uma prisão pode muitas vezes piorar o comportamento, saúde física e mental de quem lá vive, tomar medidas simples e criativas podem ajudar e mudar o futuro dessas pessoas.imagem2

Isso aconteceu no Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, onde as detentas participaram do Miss Penitenciária 2015. Dez mulheres concorreram pelo prêmio, o intuito do concurso é incentivar as mulheres a se integrarem e a combater o ócio.imagem1imagem3

Outra ação parecida foi realizada pela marca Doisélles, com o projeto Flor de Lótus que  concretizou uma parceria entre a iniciativa privada e o Estado na busca pela valorização da mão-de-obra carcerária.4tqjy7whgmg1y4lg2jlhgiue1

A marca que tem como carro chefe o tricô e o crochê, levou tal projeto a frente, montando uma oficina com 20 presos, 20 tesouras e 20 pares de agulhas na Penitenciária Professor Ariosvaldo De Campos Pires, onde rapidamente os detentos aprenderam os movimentos dos pontos básicos do tricô garantindo a produção e remindo a pena (cada três dias trabalhados garante um dia de remissão).

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Hoje a Doisélles tem uma unidade de produção dentro de um pavilhão, onde 18 detentos condenados em regime fechado trabalham com excelência na produção de peças artesanais feitas com técnicas de tecelagem manual: tricô e crochê, que são inspecionadas por rígido controle de qualidade tipo exportação.

“O maior valor de um homem é a liberdade. Quando ela lhe é tirada por falta de merecimento, o seu maior bem passa a ser o tempo. Portanto me parece óbvio que ocupar estas mãos e mentes com trabalho digno é um caminho firme na ajuda do maior principio que inspira o cárcere: a recuperação.”

*

Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2 e 3

Passo a passo – Bolsa feita com blusa de lã

Materiais:

  • Um par de alças para bolsa
  • Meio metro de feltro
  • Meio metro de malha ou tecido de algodão para o forro
  • Tesoura
  • Linha
  • Agulha
  • Alfinetes

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  • 1° passo:

Recorte a blusa retirando a parte das mangas e gola, corte um pedaço, dobre a blusa ao meio e recorte o restante deixando do tamanho desejado.

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  • 2° passo:

Coloque o forro sobre o feltro em seguida a blusa já do tamanho correto, recorte deixando todos do mesmo tamanho.

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  • 3º passo:

Vire a blusa no avesso, pegue o feltro colocando um pedaço em cada lado da blusa, alfinete e costure em seguida no fundo da bolsa, faça um triangulo nas pontas e costure, após finalizar as pontas, coloque a blusa no lado direito novamente.

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  • 4° passo:

Centralize a alça e deixa-a em cima da blusa, coloque uma tira ou o mesmo tecido do forro para prender a alça dos dois lados da bolsa com alfinetes e separe, pegue o tecido do forro, costure as laterais e o fundo costure somente um pedaço de cada lado deixando-o aberto.

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  • 5º passo:

Puxe o forro a blusa que deverá estar do lado certo e com as alças, em seguida coloque o forro dentro da bolsa.

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(Dica: se preferir, você pode costurar com a máquina de costura ou utilize o “ponto atrás” para fazer o acabamento à mão.)

 

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Por Pri Marx, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Creative Friday: Bordado

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Essa semana CUSTOMIZAMOS os nossos croquis!

Como?

Com bordado!

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Sim! Essa arte milenar que desde os primórdios enfeita adornos com desenhos e formas históricas.

Os gregos e egípcios foram os primeiros a utilizar tal forma de arte em vestimenta, ainda no Oriente, séculos depois o bordado ganhou forma e muitas vezes o tecido a receber os pontos contavam histórias de guerras.

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Com o incentivo de mosteiros da época, rainhas e damas da corte durante o século VI em diante adotaram como hobby o bordado que se espalhou pela Europa e Ásia.lilac_simple_embroidery_by_uszatyarbuz-d6cngdj

Tempos depois a máquina de bordar foi criada, porém o uso da agulha e da linha manualmente nunca perdeu seu espaço e charme!

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Voltando às origens – Moda e Arte na contramão do fast fashion

A evolução pela qual passou a moda em toda a sua história, e o “boom” capitalista que se tornou, se deve à revolução industrial e a produção em massa. Antes disso, os processos eram artesanais, envolvendo arte, sonhos, mãos habilidosas, pensamentos vagando entre agulhas e toda a sensibilidade que isso provoca – Não que hoje isso não exista mais, mas os processos industriais dominam e muitas vezes, bloqueiam um pouco o criativo, em uma corrida por produção, vendas exorbitantes e lucro imediato.

Enquanto isso na contramão, sobrevivem artesãos, costureiras, alfaiates, bordadeiras, crocheteiras entre outros profissionais que, mantendo tradições, sem pressa nem atropelos, mantém viva a arte da encomenda, do sob medida, da produção artesanal.

E não pensem que os sobreviventes são as vovós e titias! Despontou agora um movimento de “Slow Fashion” em que a produção artesanal tem superado a ansiedade por vendas e driblado a estrutura escravocrata, e dois nomes despontaram nessa trilha: Gabriel Pessagno, com seus bordados e Gustavo Silvestre, com seus crochês.

Gabriel Pessagno cursou moda  e após passar pelas estruturas rígidas da indústria, montou uma marca (River) e, insatisfeito, optou por pesquisar o trabalho feito nas maisons e deciciu que queria trabalhar cada peça de roupa artesanalmente.  

Gabriel já fez bordados para a marca Tilda, para ateliês de moulage e está iniciando sua produção. Assim, o garoto que fez roupas bordadas com parafusos, porcas, entulhos e pedaços de ferro velho para o TCC de seu curso de moda, está só no começo de uma carreira que promete deslanchar com muita sensibilidade e sucesso.

1, 2 e 3

            Gustavo Silvestre é natural do Recife, fez diversos cursos na área, ganhou prêmio de moda em Brasília e participou da Casa dos Criadores. “Até que fui pra China, havia uns investidores interessados no meu trabalho, a ideia era baratear a produção, que sempre teve essa coisa do manual, da estampa à mão. Voltei decepcionadíssimo. Ver aquela quantidade de roupas sendo feita, eles me perguntando ‘quantos contêineres você vai querer’, a estrutura deu um nó na minha cabeça”, conta o estilista. E após parar, repensar e respirar, acabou descobrindo uma nova trilha, e com a Stylist Chiara Gadaleta, do projeto Mãos do Brasil, mapeou comunidades de artesãos e com isso, acabou pegando gosto pelo crochê e resolveu aprender a técnica. Gustavo se diz muito mais realizado agora, atendendo com hora marcada e divuldando sua obra pelas redes sociais, “Eu não tenho escravo, está bem mais prazeroso. Ganhei uma cadeira de balanço, sento lá e se deixar, passo o dia me balançando e fazendo crochê”, conta. O estilista que já vestiu Karina Bu, Céu e Vanessa da Mata, agora prepara uma coleção de jóias de crochê para a estilista Adriana Barra.

4, 5 e 6

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Por Camilla Capucci – Professora do núcleo de moda da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2 e 3.