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As cores de 2016

Um vinho. Cor que evoca a terra pela característica vermelha e marrom. “Sofisticado, robusto, nutritivo, aterrado.” Estas foram palavras da diretora executiva do Pantone Color Institute para descrever a cor de 2015, marsala.e8302af6178c95d74fa5edcb5f7b4cfe

Ao final de cada ano a Pantone elege uma cor que será predominante e referência de beleza, moda, decoração. E com 2016 não seria diferente, porém o Instituto não só escolheu uma, mas sim duas tonalidades que estarão em alta durante todo esse ano: o rose quartz e o serenity que já vimos aqui.juliapetit1
Segundo a equipe de pesquisadores do Instituto, o fato da tecnologia se tornar parte constante do nosso dia  a dia, 24 horas por dia e sete dias por semana criou uma necessidade de encontrar uma zona de conforto identificada nas cores suaves. A tecnologia consome uma parte tão grande na vida das pessoas que acabamos com essa sensação de querer parar o mundo e sair fora. “Ao mesmo tempo não podemos negar que a tecnologia também abriu muitas portas”, concluiu Leatrice, diretora executiva da Pantone.

Recentemente a Pantone também revelou que não irá mais dividir suas cartelas de cores entre os gêneros, que a partir de agora serão unissex servindo para ambos os sexos. Para acompanhar tal ideia e também as mudanças de uma geração em constante desenvolvimento, as cores selecionadas para representar o ano de 2016 (rosa-quartz e serenity) coincidem com as cores da bandeira de um dos movimentos sociais que lutam pela igualdade de gênero; o movimento transexual.

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Além dessas duas cores, foram selecionadas outras 8 (totalizando 10) que circularam pelas passarelas durante os desfiles internacionais de primavera/verão 2016.

Rose Quartz (quartzo rosa) rose

Peach Echo (pêssego echo)

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Serenity (serenidade) sere

Snorkel Blue (azul snorkel)

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Buttercup (xícara de manteiga)

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Limpet Shell (concha do mar) shell

Lilac Gray (cinza lilás)

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Fiesta (festa)fiesta

Iced Coffe (café gelado)coff

Green Flash (verde flash)green

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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sibol Fashion

Referências: 1, 2 e 3

Completely Lost, hããã?!

Esqueça tudo a que você estava acostumado a assistir nos shows da Gucci. Após um ano à frente da direção criativa da marca, Alessandro Michele reafirma o seu estilo retro, um pouco kitsch diga-se de passagem, e a moda sem gênero. Onde está o toque sexy, e até um pouco vulgar em algumas ocasiões, dos desfiles de Tom Ford? Também não vemos mais a alfaiataria correta, de linhas limpas e bem construídas que marcaram os anos de Frida Giannini!

A coleção masculina Fall 2016 de Michele é marcada pelo excesso e por uma moda para lá de excêntrica. Vê-se uma profusão de cores vibrantes combinadas, mistura de estampas (florais, geométricos, xadrezes), tecidos trabalhados, texturas, bordados e brocados – um choque total, mas no bom sentido (rs). Há ainda elementos que remetem ao estilo confortável (tendência forte também no feminino em Nova York, com os sleepy dresses, lembra?!), com modelagens mais amplas e conjuntos inspirados em pijamas, além de tricôs e gorros. Uau! Poderia apostar que a camiseta do Snoopy vai virar hit entre os fashionistas.1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Michele entrou tímido há um ano, mas agora, seguro da sua missão na Gucci, mostrou para que veio: sacudir as tradições construídas há décadas.

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Por Danilo Centemero, estilista, modelista, VM, vitrinista e professor do Curso de Visual Merchandising e Vitrine da Sigbol Fashion.

Precisamos falar sobre o Jaden

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Há tempos a moda brinca com os limites na questão de gênero, desde o século XIX a atitude Gender Bender (traduzindo: além do gênero) vem sendo utilizada como forma de identificação, onde homens utilizavam-se de características tidas e rotuladas femininas. Surgiram então os primeiros resquícios do termo “Drag-Queen”.

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O mesmo ocorreu na década de 20 que após a abolição dos espartilhos e do surgimento do modernismo nas artes, as mulheres passaram a adotar o estilo A Lá Garçonne mais andrógeno com peças mais soltas e masculinas.

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Desde então personagens surgiram para representar a luta à liberdade de gênero:

Conchita Wurst, cantora austríaca. Mantém suas características masculinas enquanto há uma identificação feminina.
Conchita Wurst, cantora austríaca. Mantém suas características masculinas enquanto há uma identificação feminina.
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Laerte Coutinho, cartunista brasileira. Assumiu-se transexual aos 57 anos, trazendo a tona uma profunda discussão sobre a identidade de gênero no Brasil.
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Ziggy Stardust, personagem andrógeno criado pelo cantor David Bowie em 1972.
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Leandra Medeiros Cerezo, estilista e modelo transexual brasileira, estrela da campanha de 2010 da Givenchy e VOGUE francesa.
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Andreja Pejić, modelo australiana que até 2014 transitava entre os gêneros feminino e masculino.
Jo Calderone, personagem masculino criado por Stephanie Germanotta (Lady Gaga)
Jo Calderone, personagem masculino criado por Stephanie Germanotta (Lady Gaga)

 

Recentemente Jaden Smith, filho de Will Smith e Jada Pinkett, estrelou a campanha feminina de verão 2016 da grife Louis Vuitton.

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Jaden, aos 17 anos, normalmente em seu dia a dia utiliza o guarda roupa feminino como inspiração para montar seus looks. O mesmo afirma que “não são roupas de menina, são só roupas!”

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Relembrando que sua irmã Willow Smith, também já posou para as câmeras do ex diretor criativo da marca, Marc Jacobs.
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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2,  34 e 5