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Ilustração de Moda: Mercado, demanda e diversas possibilidades…

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“Minha mãe dizia que eu tinha jeito para desenho, e resolvi tentar ganhar dinheiro com isso… Normalmente é assim que muitos ilustradores começam a carreira, e muitos se deram bem, o que leva a crer que, na maior parte das vezes as mães estão mesmo certas. Mas ser ilustrador não depende só da vontade, do talento e do empurrão inicial da mãe, depende também de dedicação, de persistência e paciência, de muito estudo, da necessidade de ler e ver muito sobre arte, cinema, literatura, cultura geral, além de conhecimento teórico e prático do rabisco.”

 (Guia do Ilustrador – Ricardo Antunes)

A ilustração de moda, apesar de um pouco esquecida desde os anos 90, começa a retornar a cada dia com força total. Mas o que é uma ilustração?

Levemente diferente do croqui de moda (um croqui também pode ser uma ilustração, mas uma ilustração nem sempre pode ser um croqui), a ilustração, de forma geral, remete a um desenho, produzido em óleo, aquarela, nanquim ou digital, por exemplo, para qualquer mídia, que tenha a função de acompanhar ou complementar texto ou anúncio. Muito comum até o início do século XX, quando nenhuma mulher, solteira ou não, se atreveria a posar para propagandas de ateliês, lojas ou estilistas, a ilustração de moda continuou a ser utilizada até meados dos anos 60. Mesmo após o aparecimento da figura da modelo fotográfica ou de passarela, e, apesar de continuar a ser veiculada até os anos 80, perdeu a força, e tornou-se arte somente utilizada para ilustrar livros da área, principalmente fora do Brasil.

Sem título-1Setor em crescimento no país, não somente na área editorial, mas principalmente na publicidade e no design de embalagens e marcas, a ilustração pode ser trabalhada em vários materiais. Em sua maioria, os ilustradores de moda, ainda hoje, costumam iniciar seus trabalhos à mão, com materiais como grafite, carvão, tintas aquarela e guache, nanquim e pastéis, depois passá-los para a mídia digital para acabamento, se for o caso. Hoje tratada como atividade freelancer (até os anos 80, era comum que as empresas tivessem em seus quadros um ilustrador especializado para o segmento), cabe a cada ilustrador analisar as necessidades dos clientes para definir o tipo e acabamento que deverão ser usados para um melhor resultado.

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Independentemente da forma do trabalho, entretanto, é indispensável que se tenha conhecimento técnico. Mesmo na mídia digital, o aproveitamento só é completo quando se tem o desenvolvimento das técnicas tradicionais e de novas ferramentas, pois noções de incidência de luz e sombra no corpo humano, caimento de tecidos, reflexão da luz e coloração são necessários para o desenvolvimento de todos os materiais.

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Além do setor editorial, o ilustrador de moda hoje tem um campo mais abrangente. Há alguns anos, vem crescendo a demanda das marcas por especialistas nessa área, principalmente para criação de estampas localizadas e corridas para seus produtos. Existem marcas especializadas somente em blusas, por exemplo, cuja criação de estampas varia de 50 a 200 peças diferentes por ano. Cases para Iphone e Ipad, criações de estampas para diversos objetos de decoração, além de notebooks, cadeados, e uma infinidade de outros produtos, também fazem sucesso e colaboram para o crescimento do mercado no país. E com público consumidor de design fashion em constante expansão e sempre mais exigente, a profissão tende a voltar a seu período áureo em pouco tempo.

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Por Haranin Julia Maria – Professora do núcleo de moda da Sigbol Fashion

 

Referência: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8

 

O comportamento do consumidor nas mídias sociais e as oportunidades para o comércio eletrônico de moda

Durante a primeira década dos anos 2000, enquanto o comércio eletrônico se solidificava e ampliava a oferta de produtos online, muito se especulava sobre como levar a experiência de consumo de moda para o ambiente virtual. O consumidor sentiria falta do toque do material, do ato de experimentar as peças em si mesmo e, mais ainda, da sociabilidade envolvida em uma ida às compras, o “ver e ser visto”, a conversa com vendedores e a companhia de amigos. Isso exigia soluções relacionadas à vivência com o produto, pois se trata, geralmente, de uma compra mais subjetiva que envolve as emoções, a beleza e o conforto.

Com o tempo, as empresas encontraram formas de lidar com a falta de segurança do consumidor e a impossibilidade de ter contato com o produto, oferecendo devoluções sem custo adicional em caso de insatisfação e tabelas de medidas, que permitem descobrir o tamanho exato daquele vestido tamanho 40 – lembrando que ainda não existe uma padronização das grades de tamanho seguida por todas as confecções. A ascensão e diversificação das mídias sociais impulsionou a experiência de compra na internet como uma experiência social, ao que se atribui o termo comércio social:

“Assim, no contexto digital, podemos definir o Comércio Social (s-commerce) como um sub-conjunto do comércio eletrônico (e-commerce) que emprega ferramentas colaborativas de redes sociais para auxiliar na compra e venda on-line. Em outras palavras, se o e-commerce é a compra e venda online, o s-commerce é a compra e venda online com milhões de pessoas ajudando no processo (Martha Gabriel).”

Para os estudos do comportamento do consumidor abrem-se novos espaços de pesquisa. Cerca de 50% dos consumidores utilizam a internet em algum ponto do processo de consumo[1], seja na pesquisa por preços, seja para reclamar de um serviço que o deixou insatisfeito. Como profissional de moda, é essencial observar e refletir sobre o uso que os indivíduos fazem dessas ferramentas, não apenas para criar novas coleções ou ações isoladas de marketing, mas criar uma experiência integrada com as diferentes mídias e a realidade off-line. Aliás, as barreiras entre online e off-line estão cada vez menos rígidas, e as ações em um ambiente afetam diretamente o outro.

O comércio social envolve, basicamente, três elementos:

1.)               As pessoas e suas redes de relacionamento e sociabilidade;
2.)               O comércio, eletrônico ou não;
3.)               O conteúdo, que deve motivar a criação, o compartilhamento e a participação das pessoas nas ações.

Dito isso, apresentamos como algumas empresas estão aproveitando comportamentos observados na rede em seus modelos de negócio. Uma boa dose de inspiração para quem está ingressando no mercado com espírito inovador!

A interação com plataformas móveis: o uso de smartphones no Brasil atingiu 36% em 2012, e a tendência é de que tenha aumentado consideravelmente em 2013. Como utilizar essa informação a nosso favor? A melhor saída para um anunciante se comunicar através do meio móvel será o aplicativo, pois garante conveniência e sociabilidade, incentiva o uso e diverte. A empresa Net-a-Porter, pioneira no comércio eletrônico de artigos de luxo de moda, em fevereiro de 2012, lançou seu próprio aplicativo para smartphones e Ipads. Para divulga-lo, disponibilizou um vídeo em seu canal do YouTube. No vídeo, as formas de interação representadas ilustram muito bem como os comportamentos cotidianos podem ser inseridos nas estratégias dos negócios de moda, envolvendo informação, compartilhamento, conveniência e integração entre os meios.

Você pode assistir ao vídeo clicando aqui.

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O editorial como vitrine: um dos principais usos das mídias sociais de moda é como fonte de informação sobre o que está, ou estará, na moda. Essa função já era cumprida pelas revistas, pelos programas televisivos e pelo cinema. As mídias sociais aproximam a informação do ato da compra, transformando o conteúdo informativo em vitrine. É o que faz a Lifestyle Mirror, uma revista digital instantly shoppable (ou instantaneamente comprável). Os produtos utilizados nos editoriais são identificados não apenas com a marca e o preço, mas com um link direto para o site de venda. Basta passar o cursor sobre a imagem e voilà! Você já sabe onde comprar, sem a necessidade de outras buscas.

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[1] “eBay’s CEO tells me why social is so important to the future of his company” in http://www.youtube.com/watch?v=ZwUryg3naiY. 04-10-13, 17h.

Uma rede de personal stylists: Um dos desafios surgidos com a ascensão dos blogs e da mídia informal de moda está há anos gerando discussão: quem, afinal, pode ser autoridade em moda? A verdade é que mesmo com tanta informação de especialistas ao nosso alcance, quem nunca se pegou em dúvida sobre o que vestir e recorreu à opinião dos amigos? A rede social Motilo parte desse hábito comum e das deliciosas conversas entre amigos em dúvida sobre como usar alguma peça ou estilo. Um membro posta uma dúvida e, em seguida, outros membros podem fazer sugestões utilizando itens relacionados no site. Caso a pessoa em dúvida goste das sugestões, pode adquirir os itens, sendo redirecionado para a página do comércio eletrônico em que as peças estão disponíveis. Todos os membros atuam como curadores e se divertem bancando os personal stylists, capazes de influenciar decisões e gerar conteúdo cada vez que respondem a uma dúvida e sugerem marcas e produtos.
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Open innovation e desenvolvimento de produtos: Criar o produto certo para o público certo fica mais fácil agora que os usuários podem dialogar com as empresas. A Camiseteria é uma empresa cuja proposta, a princípio, era vender camisetas com estampas exclusivas. Logo, o ambiente se tornou uma comunidade, em que os usuários podem entrar e enviar estampas criadas por eles mesmos, ou votar em suas estampas favoritas para que essas sejam desenvolvidas e disponibilizadas para compra. Essa é uma forma de open innovation, em que o modelo do negócio incorpora a colaboração dos usuários, transformando-se em mais do que uma loja especializada, mas uma plataforma para designers.

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O mais importante é manter-se atento para todos os fenômenos e comportamentos que surgem na rede: que uso as pessoas fazem dessas ferramentas, quais estão no auge e quais estão desaparecendo, e como elas interferem no mercado de moda em suas diferentes áreas, seja o desenvolvimento de produto, o marketing, a comunicação e a gestão de negócios, pois o que acontece na rede acontece no mundo real.

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Por  Priscila Carvalho  –  Professora de Comportamento do Consumidor da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

[1] GABRIEL, Martha “Social Commerce: tão novo, tão antigo” in http://www.martha.com.br/2010-10-29-social-commerce-tao-novo-tao-antigo/#more-377 – 04-10-13, 14h30.
“eBay’s CEO tells me why social is so important to the future of his company” in http://www.youtube.com/watch?v=ZwUryg3naiY. 04-10-13, 17h.
GUPTA, Sunil. Plataforma móvel pede aplicativo, não anúncio. Harvard Business Review, Vol. 91, No. 3. 2013. P.: 44-49.

Qual o papel do Visual Merchandising numa empresa de moda?

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Pouco se sabe sobre esta poderosa ferramenta de vendas, o que para algumas empresas pode ser considerado um luxo desnecessário, outras tem o V.M como centro dos seus negócios e garantem que é parte integrante do Marketing, encantando, seduzindo e acima de tudo vendendo.

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Vale ressaltar que os conceitos técnicos de V.M são universais, o que pode ser alterado é o posicionamento, estratégia ou tática da empresa. A corporação deve ter consciência de onde está, onde deseja chegar, em quanto tempo e quanto de investimento dispõe.  Estas são medidas necessárias para o desenvolvimento de um projeto de V.M. Não podemos esquecer que mudança de cultura leva tempo é preciso ter paciência, persistir, talvez o mais importante seja entender que as pessoas são peças chaves no processo.

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Um profissional de V.M deve analisar relatórios de vendas e com base nisso desenvolver as ações fundamentadas com números e necessidades, rentabilizando a área de vendas, incentivando a venda por impulso e aumentando o valor do ticket médio.

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O V.M utiliza da arquitetura, design, iluminação, cores, mobiliário, layout para ambientar e aclimatar o PDV, ele pensa antes para que o cliente não precise pensar, antecipando suas necessidades e despertando o desejo por compra.

Depois dos colaboradores, o produto, é nosso maior patrimônio, e é a matéria prima do V.M que deve colocar o produto ao alcance do consumidor no melhor ponto, com a exposição adequada, na quantidade certa, com tudo limpo, com equipamento abastecido e precificado. Tudo isto é muito importante para atender um cliente cada vez mais exigente.

O V.M encanta, seduz e, acima de tudo, VENDE!!!

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Por  Nasser Salim Junior –  Professor do curso de Vitrine & Visual Merchandising da Sigbol Fashion

Referência: 1.