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Dia do Alfaiate

Dia do Alfaiate é comemorado anualmente em 6 de setembro no Brasil. A data homenageia uma das profissões mais antigas do mundo: a dos alfaiates. Esses profissionais são especialistas em criar, costurar ou reformar roupas artesanalmente. O termo tailor (em inglês) existe desde 1297. A ocupação nasceu depois do Renascimento, época que surgiu uma preocupação maior em mostrar as formas do corpo. A partir daí, nem todo mundo conseguia confeccionar sua própria peça de roupa: um estudo do corpo humano era necessário e mais de uma pessoa poderia ser envolvida no processo. Foi aí que o papel do alfaiate cresceu nas sociedades – anteriormente, sua importância era a mesma de um tecelão.

Hoje os alfaiates, ao contrário dos estilistas, são direcionados para a moda masculina, criando ternos, calças, paletós e outras peças exclusivas do vestuário masculino.

Os alfaiates costumavam trabalhar em lojas privadas próprias (ateliês), fazendo roupas artesanais ou remendos/consertos em outras vestes. No entanto, esta profissão está cada vez mais rara.

A Sigbol Fashion parabeniza a todos os alfaiates do Brasil! Muiiito sucesso a todos.

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Por Paola Sanguin, professora do núcleo de criação da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2, 3, 4.

As costureiras…

Já te contamos a história da costura aqui no blog, mas vocês sabem quando as costureiras realmente puderam palpitar na criação de novos cortes e modelagem da peça?

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Quando o rei e a corte se instalaram em Paris, a população passou a se interessar por produtos de luxo. Transformando o modo que se vestiam, surgindo uma nova tendência conhecida como Moda!

A diversidade do corte, de tecidos e de cores foi crescendo e sendo valorizada pela elite. Não bastava ter apenas uma túnica, e sim uma grande diversidade de peças.

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Foi nesse período que os alfaiates, as costureiras, bordadores e tingidores de tecido conseguiram se destacar entre todas as áreas de trabalho, já que eram responsáveis por produzir roupas para a corte e causar a melhor impressão possível dos nobres que a vestiam.

Porém, as costureiras eram apenas conhecidas pelos consertos e ajustes para os alfaiates, poucas conseguiam se destacar e construir uma clientela, sendo que somente mestres alfaiates tinham legitimidade para vestir a elite.Rose_Bertin_Trinquesse

Até que o figurino da rainha Maria Antonieta foi um dos mais imitados pelos jovens franceses e posteriormente influenciando a maneira de vestir. Foi aí que Rose Bertin ganhou destaque, por ser costureira da rainha, atraia clientes que queriam se vestir como ela.

Mas, somente pela ordem do rei Luis XIV, foi que as costureiras adquiram reconhecimento e passaram a ser divididas em quatro categorias:

  • Costureira de vestuário;
  • Costureira de roupas infantis;
  • Costureira de camisa;
  • Costureira de acabamentos.

'Sewing' — William Adolphe Bourguereau(RSTagliafierro GIF)

As costureiras podiam somente confeccionar a roupa após o cliente ter escolhido o tecido. Algumas passaram a arriscar em novos cortes do tecido e modelagens. Apesar de algumas conseguirem expor suas ideias, as clientes sempre ditavam a palavra ao final da criação.

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Hoje grandes empresas contratam costureiras, a área é extensa. Algumas trabalham como piloteira, outras preferem apenas costura e acabamento e há aquelas que preferem trabalhar em casa com ajustes e reformas. Mas todas precisam saber como manusear as máquinas e quais são seus melhores acessórios.

Aqui na Sigbol, temos o curso de corte e costura para todos os gostos! Se você ama costurar, confira só a variedade de cursos de moda em nosso site.

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Por Paola Sanguin, professora do núcleo de criação da Sigbol Fahion.

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8. Manuel Técnico História da Moda Sigbol Fashion.

Qual a melhor tesoura?

A tesoura é uma das ferramentas fundamentais para a costureira ou aspirante. E, no mercado, existem vários tipos delas, cada uma com uma função diferente. Mas no meio de tantas opções, qual é a melhor para cada tipo de trabalho? Você sabe?

Aqui vão algumas dicas para comprar a tesoura adequada e sair por aí fazendo moda. Mas, antes, não se esqueça: um profissional ou pessoa que faça um trabalho com costura (mesmo caseira) precisa de, ao menos, duas tesouras, uma para papéis e outra para tecidos. E cuidado para não misturar os usos: as tesouras perdem a afiação ao cortarem papel e tecido alternados.

As tesouras de aço inoxidável possuem maior resistência à corrosão e tem maior durabilidade do fio. São ótimos investimentos a longo prazo. Já as tesouras com parafusos permitem compensar as eventuais folgas entre as lâminas que poderão ocorrer com o uso. As tesouras com rebites não permitem que sejam feitos apertos.

 

Tesoura multiuso:

IMAGEM01É uma tesoura comum, de metal, com cabo de plástico ou emborrachado. Apesar de ser chamada tesoura multiuso, não deve ser usada pra cortar nada além de tecido.

Uso: Cortar tecido.

 

Tesoura de arremate

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Pequena e não muito afiada, tem somente um anel para colocar o dedo e uma mola, que mantém as lâminas separadas.

Uso: Cortar restos de linha durante a costura. Como não há necessidade de encaixe dos dedos pra cortar (somente apertar e a mola abre a tesoura de novo), tudo fica mais rápido. Cortar os restos de linha que sobram da costura é de grande importância.

 

Desmanchador ou Abridor de casas

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É uma garra com duas pontas, uma é maior e pontuda e a outra, menor e com uma bolinha na ponta, pra evitar que o tecido rasgue. A lâmina em si fica na curva entre as duas pontas.

Uso: desmanchar costuras (coloca-se a ponta entre a linha e o tecido, deixando a linha na direção da lâmina. Ao puxar pra cima, a linha se parte, e daí em diante, sucessivamente “ganchando” os pontos seguintes, desmancha-se a costura toda) e abrir casas (para isso, espeta-se o gancho maior na casa, empurrando até o tecido tocar a lâmina. Depois, escorrega-se o desmanchador pra frente, até o final da casa).

 

Tesoura de costura

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Essa tesoura tem o pegador um pouco mais levantado em relação às lâminas.
Uso: Com ela, não é necessário levantar o tecido para cortar. De grande ajuda ao cortar seguindo um molde, por exemplo. A tesoura consegue escorregar ao redor do molde, sem ter que levantá-lo. Esse tipo de tesoura é muito usada por alfaiate e costureiras profissionais.

 

Tesoura de bordado

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Essa tesoura é muito pequena, com a ponta extremamente fina. Tem forma de pássaro ou a lâmina curvada, como as tesouras de cortar unhas de bebês.
Uso: Usada para cortar fiozinhos bem próximo ao tecido, especialmente em bordados e acabamentos.

 

Cortador circular

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O cortador circular é uma espécie de estilete, com uma lâmina redonda.

Uso: Muito conhecido pela turma do Quilt e do Patchwork, é ótimo pra fazer cortes bem precisos, inclusive em tecidos bem molinhos. Sua vantagem é que se pode dobrar ou empilhar mais de uma peça de tecido e efetuar o corte de uma vez só. Pra isso, você precisá de uma lâmina mais grossa,como as de 45 ou 60mm. Alguns cortadores circulares vem com uma guia, que é atarraxada no cortador, para cortar moldes que não tem sobra de costura marcada. Você acompanha o molde com a guia, que afasta a lâmina o suficiente para deixar espaço para a costura. Para uso do cortador circular, é necessário também ter uma base para corte (também conhecido como borrachão).

 

Tesoura micro-serrilhada

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É como uma tesoura de costura normal, mas possui micro serrilhado nas lâminas.

Uso: O serrilhado ajuda no corte de tecidos muito finos e leves, como a seda, por exemplo. A função dele é não deixar o tecido escorregar enquanto é cortado.

 

Tesoura cortador ou alfaiate

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Essa tesoura tem uma lâmina arredondada e outra mais fina.

Uso: A lâmina pontuda serve para abrir uma peça, como um bolso, forro, etc. A outra é mais arredondada na parte inferior, pra quando se cortar uma peça como tem duas camadas, por exemplo. Com isso, pode-se cortar a superior sem machucar a inferior, porque a parte arredondada da lâmina passará acima dela.

 

Tesoura de picotar

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A tesoura possui lâminas serrilhadas, com serra maior que a micro-serrilhada.

Uso: Normalmente usada para forros ou acabamentos em que o corte vai ficar exposto. Só pode ser usada em tecidos que não desfiam, como o feltro, lã etc.

Gostou? Já se sente preparada para inaugurar seu atelier? Divide com a gente nos comentários!

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Por Natalina Porto, professora do Núcleo de Modelagem da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16 e 17

Lampião Estilista

Aperte o play e leia o post:

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Difícil acreditar, quando o assunto se trata de Lampião (mais conhecido como rei do cangaço, aquele de jeito grosseiro e destemido, lenda da história nordestina), que alguém possa, segundo pesquisas históricas, ligá-lo à moda, certo? Mas não se engane: Virgulino “Lampião” Ferreira da Silva era um exímio estilista, e pouquíssimas pessoas sabem que, aos 14 anos, já fizera sucesso na profissão, como alfaiate de tecidos de couro muito bem ornamentados, em sua cidade, Pajeú, no estado de Pernambuco. Antes de entrar para o crime (após sua família ter-se envolvido em uma guerra contra vizinhos), Virgulino não sabia manusear fuzis, e suas ferramentas de trabalho eram as máquinas de costura.

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Lampião desenhava as roupas dos homens do bando, e, quando não estavam dizimando e aterrorizando cidades, bordava peças e outros acessórios do grupo, como os cantis, cinturões, bolsas (conhecidas como embornais) e lenços. Desenhava em papel pardo, e levava para a máquina de costura, onde bordava suas idéias, alem de sempre trajar muitas jóias, em maioria roubadas dos habitantes das cidades saqueadas. Por suas peças serem altamente coloridas e ricas em bordados, era admirado até pelos policiais da época, o que demonstrava seu alto grau de hierarquia.

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Quando foi morto em 1938, aos 40 anos, junto a sua fiel companheira, Maria Bonita (que igualmente sempre trajava jóias finas diversas, lenços e roupas bem bordadas), Lampião e seus nove companheiros foram decapitados e expostos na escadaria da igreja de Alagoas, juntamente com todos os pertences apreendidos. Junto às cabeças, foram expostos seus fuzis e parabelos, cartucheiras, peças de vestuário e duas máquinas de costura Singer, sonho de consumo de qualquer mulher da época.

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A descoberta histórica vem à tona para nos fazer refletir: como seria possível, debaixo de tanto ódio e maldade, encobrir-se algo tão bonito quanto a arte da costura e a sensibilidade de um estilista?

Se Lampião tivesse seguido na primeira profissão que teve, que tipo de pessoa e profissional teria se tornado? Seria hoje um exímio estilista? Ninguém pode hoje saber a resposta exata, mas vale a lembrança de que as peças costuradas e bordadas por Lampião, exibidas em grande parte do sertão nordestino da época, são inspirações de coleções produzidas até hoje por grandes estilistas, e, em sua maioria, são ainda produzidas em larga escala para venda em grande parte da Região Nordeste e Norte do país.

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Por Ana Paula Lopomo, professora do Núcleo de Modelagem da Sigbol Fashion

Referência: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16 e 17

A alfaiataria e o alfaiate: uma arte, um artesão!

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A profissão de alfaiate vem de longe. Definida como uma das mais antigas do mundo, o termo tailor (em inglês) existe desde 1297. A ocupação nasceu depois do Renascimento, época que surgiu uma preocupação maior em mostrar as formas do corpo. A partir daí, nem todo mundo conseguia confeccionar sua própria peça de roupa: um estudo do corpo humano era necessário e mais de uma pessoa poderia ser envolvida no processo. Foi aí que o papel do alfaiate cresceu nas sociedades – anteriormente, sua importância era a mesma de um tecelão.

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Alguns anos se passaram e, a partir da Revolução Industrial, o foco da alfaiataria se voltou para Londres que, como uma forma de rebeldia, trocou as perucas brancas pelo cabelo cortado e os brocados e veludos por tons sóbrios de lã. Nessa época surgiram os dândis, com a alfaiataria – terno completo e gravata – como a conhecemos hoje. Este foi o ponto de partida para que Londres se tornasse referência mundial.

A alfaiataria é a arte de criar roupas masculinas, tais como ternos, calças, coletes, camisas, paletós e muitas outras, de caimento perfeito e tecidos específicos, que compõem os visuais sociais e de black tie masculinos. As peças são criadas de forma personalizada, sob medida, de forma exclusiva e artesanal.

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No Brasil, os primeiros alfaiates chegaram junto à corte portuguesa, e foram passando seus conhecimentos por gerações. Hoje, a alfaiataria tradicional voltou a ter a exclusividade que tinha quando começou. Poucos homens investem em peças feitas sob medida, e quem o faz dificilmente volta a comprar um terno pré-fabricado. A profissão, infelizmente, ainda é realizada por poucos profissionais, mesmo em âmbito mundial.

O alfaiate deve ser um profissional apaixonado por moda e vestuário, capaz de transformar tecidos em peças com qualificação industrial, porém artístico-artesanal e sob medida. Para o exercício da profissão, é recomendável qualificar-se através de cursos, aprender a forma correta do uso das máquinas de costura profissionais e fazer excelentes acabamentos, já que, nesse tipo de look, quaisquer erros, pequenos que sejam, saltam aos olhos ao perderem o caimento correto.

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As áreas de atuação de um alfaiate são diversas: existem, ainda hoje, os alfaiates autônomos, que trabalham em seu próprio ateliê; para além, nas indústrias de confecção, normalmente são responsáveis pela primeira modelagem das peças que entrarão na linha de produção em série; já no comércio, é comum haver um ou mais profissionais, parte da equipe, que é responsável pelos ajustes das peças pré-construídas, vendidas nas lojas.

Um bom alfaiate normalmente desenvolve uma clientela cativa, e são considerados “consultores de moda”, sugerindo e orientando seus clientes no uso adequado de tecidos, cortes, caimentos, etc, conforme tendência de moda e características pessoais, como silhuetas e tons de pele.

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Por Keyla Ferreira, professora do Núcleo de Modelagem da Sigbol Fashion.

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13