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A alfaiataria e o alfaiate: uma arte, um artesão!

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A profissão de alfaiate vem de longe. Definida como uma das mais antigas do mundo, o termo tailor (em inglês) existe desde 1297. A ocupação nasceu depois do Renascimento, época que surgiu uma preocupação maior em mostrar as formas do corpo. A partir daí, nem todo mundo conseguia confeccionar sua própria peça de roupa: um estudo do corpo humano era necessário e mais de uma pessoa poderia ser envolvida no processo. Foi aí que o papel do alfaiate cresceu nas sociedades – anteriormente, sua importância era a mesma de um tecelão.

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Alguns anos se passaram e, a partir da Revolução Industrial, o foco da alfaiataria se voltou para Londres que, como uma forma de rebeldia, trocou as perucas brancas pelo cabelo cortado e os brocados e veludos por tons sóbrios de lã. Nessa época surgiram os dândis, com a alfaiataria – terno completo e gravata – como a conhecemos hoje. Este foi o ponto de partida para que Londres se tornasse referência mundial.

A alfaiataria é a arte de criar roupas masculinas, tais como ternos, calças, coletes, camisas, paletós e muitas outras, de caimento perfeito e tecidos específicos, que compõem os visuais sociais e de black tie masculinos. As peças são criadas de forma personalizada, sob medida, de forma exclusiva e artesanal.

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No Brasil, os primeiros alfaiates chegaram junto à corte portuguesa, e foram passando seus conhecimentos por gerações. Hoje, a alfaiataria tradicional voltou a ter a exclusividade que tinha quando começou. Poucos homens investem em peças feitas sob medida, e quem o faz dificilmente volta a comprar um terno pré-fabricado. A profissão, infelizmente, ainda é realizada por poucos profissionais, mesmo em âmbito mundial.

O alfaiate deve ser um profissional apaixonado por moda e vestuário, capaz de transformar tecidos em peças com qualificação industrial, porém artístico-artesanal e sob medida. Para o exercício da profissão, é recomendável qualificar-se através de cursos, aprender a forma correta do uso das máquinas de costura profissionais e fazer excelentes acabamentos, já que, nesse tipo de look, quaisquer erros, pequenos que sejam, saltam aos olhos ao perderem o caimento correto.

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As áreas de atuação de um alfaiate são diversas: existem, ainda hoje, os alfaiates autônomos, que trabalham em seu próprio ateliê; para além, nas indústrias de confecção, normalmente são responsáveis pela primeira modelagem das peças que entrarão na linha de produção em série; já no comércio, é comum haver um ou mais profissionais, parte da equipe, que é responsável pelos ajustes das peças pré-construídas, vendidas nas lojas.

Um bom alfaiate normalmente desenvolve uma clientela cativa, e são considerados “consultores de moda”, sugerindo e orientando seus clientes no uso adequado de tecidos, cortes, caimentos, etc, conforme tendência de moda e características pessoais, como silhuetas e tons de pele.

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Por Keyla Ferreira, professora do Núcleo de Modelagem da Sigbol Fashion.

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13

Alfaiataria

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Quando falamos em alfaiataria, logo pensamos em uma peça masculina confeccionada sob medida por um alfaiate.

foto 15Essa técnica surgiu no final da Idade Média entre os séculos XII e XIV. Timidamente as mulheres começaram a usar algumas peças do guarda-roupa masculino já no século XVI. Há registro da rainha Elisabeth I, retratada em um quadro, vestindo um gibão, espécie de paletó acinturado com uma pequena basque e um calçãofoto 2 curto ajustado.

No século XVII, apareceu um tipo de tailleur no guarda-roupa feminino. Ele era formado por um tipo de jaqueta justa, com vários elementos das roupas masculinas, porém com um basque é usando sobre uma saia dupla e volumosa.

No século XIX, depois da Revolução Francesa que a alfaiataria começou a fazer parte da indumentária feminina. Na metade deste século, populariza-se o uso de duas peças no guarda-roupa feminino. Vestia-se uma blusa sob um casaquinho com basque e, por baixo, uma saia longa. Essas peças eram confeccionadas em Tweed em tons escuros. Esse traje só poderia ser usado para praticar esportes. Com o passar do tempo, algumas moças mais ousadas decidiram que essas duas peças poderiam fazer parte também do seu cotidiano.

Foto 1No período da Primeira Guerra Mundial, as mulheres que assumiram as profissões exercidas pelos homens, adotaram a calça de alfaiataria para facilitar sua movimentação, já que os homens estavam no campo de batalha.

Foto 2Nos anos 20 com influencia de Chanel algumas mulheres começaram a usar uma calça de alfaiataria , mas com um corte mais amplo( enormes pantalonas), inicialmente essa peça era usada somente como saída de praia.

Foto 3Chanel nos anos 20, lançou outro  tipo de tailleur, desta vez um casaquinho solto com uma saia reta com bainha abaixo dos joelhos, confeccionado em tweed (tecido usado para confeccionar peças masculinas). Esse modelo transformou-se em um clássico, atemporal e, até  hoje, é usado pelas mulheres mais elegantes.foto 12Na década de 40 entre o período da Segunda Guerra Mundial as mulheres novamente substituíram os homens no trabalho e adotaram as peças de alfaiataria.Foto 4Em 1947,Christian Dior apresentou um Tailleur que foi chamado de New Look, esse modelo marcou até o final dos anos 50, mas o grande responsável por usar as técnicas de aFoto 5lfaiataria em peças femininas em meados dos anos 60 foi Yves Saint Laurent com o lançamento do terninho  feminino( colete,casaco ou paletó e calça de alfaiataria) que timidamente foi conquistando as mulheres da época. Finalmente nos anos 80, o terno com ombreiras e calça social foram adotados pelas mulheres, como uma forma de se impor no mercado de trabalho.Foto 6

Nos últimos anos, a alfaiataria ganhou novos ares, como modelagens menos sisudas e emprestou suas barras, bolsos, lapelas, cores, padronagens e acabamentos sofisticados a outros  estilos. Agora é possível encontrar um paletó confeccionado com todas as técnicas e acabamentos de alfaiataria em moletons e jeans ou calças esportivas com barras italianas.foto 22Nos últimos desfiles, os designers têm mostrado que existem muitas maneiras de misturar as técnicas de alfaiataria e conseguir peças menos estruturadas, mais bem acabadas. A alfaiataria está sendo adaptaFoto 8da pelos estilistas com ares mais modernos e tecidos tecnológicos facilitam a produção de novas propostas. Os criadores de hoje utilizam as padronagens, as cores e tecidos típicos da alfaiataria na confecção de vestidos românticos, peças mais jovens e até no infantil. A modernização da alfaiataria fez com que ela continuasse presente na moda, segundo Mario Queiroz ela ainda pode estar nas coleções de uma maneira clássica, sendo confeccionada pelas mãos de um alfaiate. A modelagem e o acabamento são características que valorizam determinadas peças.

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Por Elizangela Gomes, Professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2, 3, 4.