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CREATIVE FRIDAY – BIBA!

No Creative Friday de hoje, resgatamos um ícone fashion das décadas de 60 e 70: a marca BIBA!

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Fundada em 1964, por Barbara Hulanick (hoje designer), fez sucesso com as mocinhas da época por criar peças bacanas e de qualidade, além de prêt-à-porter de alta costura por precinhos camaradas e acessíveis à classe média britânica jovem da época. Ajudou a popularizar a minissaia de Mary Quant e a imagem à la Twiggy, além das batinhas coloridas e estampas psicodélicas. Foi a primeira butique de roupas do mundo, e tinha técnicas de vendas peculiares: nunca colocavam qualquer produtos nas vitrines, de forma a trazer os clientes curiosos para a loja, e foram a primeira loja a cuidar de decorações inovadoras e música ambiente em tempo integral (combinando com a loja, rock’n’roll e pop britânico!). No auge da marca, a loja contava com Anna Wintour, a hoje temida editora chefe da Vogue americana (e personagem inesquecível do filme O Diabo Veste Prada), como uma de suas vendedoras.

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Em razão de desentendimentos entre a criadora e os investidores, a marca fechou em 1976. Porém, em 2010, a marca foi revitalizada, e hoje é vendida pela House of Fraser, contando com várias coleções, entre elas a Biba Bridal, acessórios, artigos de decoração e uma exclusiva com tecidos e estampas opulentas e únicas.

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Uma história íntima

Do pantaloon ao fio dental

Já postamos no blog a origem da roupa intima neste post, agora falaremos um pouco mais sobre a evolução ou diminuição dessa peça de roupa tão importante!

calcinhas

A calcinha tem mais de 200 anos, essa peça passou por muitas mudanças desde então. Surgiu no século XVIII com os pantaloons e ficou com esse formato até o final do século XIX. Nesta época tivemos tantas mudanças para as mulheres, como a conquista pelo direito ao voto, o direito às aulas de Educação física nos colégios e com a onda do culto a saúde, as mulheres conquistam o direito de usarem roupas mais leves, as quais geralmente pesavam mais de três quilos, assim as calçolas foram confeccionadas em tecidos mais leves, como por exemplo, a camurça foi substituída por uma lã.

roupas íntimas da década de 10

roupas íntimas da década de 20

Com a chegada do século XX, as mulheres ganharam roupas em formas mais curvilíneas, assim as peças de baixo não poderiam ser tão volumosas. Nesta época, a seda era vista como uma escolha natural é claro somente paras as mulheres mais ricas. Para as mulheres mais simples que sabiam costurar, o material mais usado pra confeccionar suas peças íntimas eram os sacos de algodão, que as mercearias usavam para embrulhar farinha, açúcar ou arroz, essa prática durou até meados da Segunda Guerra Mundial. Entre o período da Primeira e da Segunda Guerra mundial surge o Rayon, um novo tecido com o toque acetinado, com aparência de seda e com um preço bem em conta, rapidamente foi adotado para confeccionar as peças intimas das mulheres.

roupas íntimas da década de 30

Durante a Primeira Guerra Mundial foram fabricadas combinações mais curtas (até os joelhos) e em tecidos mais leves como a cambraia com apliques de rendas nas barras, essas peças refletiam a onda de liberdade que marcou esse período.

roupas íntimas da década de 40

Já durante a Segunda Guerra Mundial, devido à escassez de matéria primas, as mulheres voltaram as usar suas agulhas de tricô pra confeccionar todos os tipos de roupas incluindo calcinha e baby-dolls. Já as mulheres que serviam nas Forças Armadas recebiam calcinhas em tons utilitários, como cáqui, marinho, preto ou cinza e a modelagem era considerada a mais adequada para ser usada por baixo da saia na altura dos joelhos que compunha o uniforme. Essa calcinha logo foi apelidada de “espanta homens”, essa peça intima tinha um elástico na cintura e na altura das cochas para a mesma ficar bem agarrada ao corpo.

roupas íntimas da década de 50

Com o fim da Segunda Guerra mundial Christian Dior trouxe de volta a silhueta curvilínea e as lingeries vaporosas para o guarda-roupa feminino. Em meados dos anos 50 a modelagem mais usada ainda era o caleçon, mas as moças mais jovens tinham preferência ás subguetes mais justas e curtas. Elas eram confeccionas em náilon, liso ou estampado, com tecidos de acetato e muitas vezes recebiam acabamento de babados e rendas também sintéticos, mais fáceis de lavar e conservar.

roupas íntimas da década de 60

Na década de 60, o alcance dos tecidos de náilon e poliéster aumentou rapidamente. A moda pedia trajes femininos cada vez mais curtos e para acompanhar essa tendência, a lingerie tinha que ser mais ajustada ao corpo, como a calcinha tipo biquíni feitas de náilon stretch, ou as cores eram vibrantes com padronagens chamativas como amarelo-limão, rosa-choque, roxo, laranja, dentre outras. As  mulheres mais tradicionais ainda preferiam as peças intimas brancas ou em tons pastel.

roupas íntimas da década de 70

Logo apareceu o fio dental, uma única tira fina de tecido, ás vezes com enfeites aplicados costurada a uma faixa de elástico ao redor da cintura. Uma grande novidade criada pela Calvin Klein em meados dos anos 80 foi uma linha de cuecas para homens e mulheres.

No decorrer dos anos essa pequena peça sofreu muitas modificação, antes ela era necessária para cobrir a vergonha das mulheres recatadas, depois foi adaptada de acordo a mudança do vestuário, hora mais larga, cintura mais alta ou mais baixa, ou sem quase tecido.

Hoje essa peça vive releituras de épocas anteriores como as hot pants que foi muito usada nos anos 40 e 50, com novos tecidos e recortes. A calcinha também é sinônimo de sensualidade ou praticidade.

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Por Elizangela Gomes – Professora de moda da Sigbol Fashion

Referências: HAWTHORNE, Rosemary. “Por baixo dos panos: a história da calcinha”. São Paulo: Editora matrix, 2009.