Uma história íntima

Do pantaloon ao fio dental

Já postamos no blog a origem da roupa intima neste post, agora falaremos um pouco mais sobre a evolução ou diminuição dessa peça de roupa tão importante!

calcinhas

A calcinha tem mais de 200 anos, essa peça passou por muitas mudanças desde então. Surgiu no século XVIII com os pantaloons e ficou com esse formato até o final do século XIX. Nesta época tivemos tantas mudanças para as mulheres, como a conquista pelo direito ao voto, o direito às aulas de Educação física nos colégios e com a onda do culto a saúde, as mulheres conquistam o direito de usarem roupas mais leves, as quais geralmente pesavam mais de três quilos, assim as calçolas foram confeccionadas em tecidos mais leves, como por exemplo, a camurça foi substituída por uma lã.

roupas íntimas da década de 10

roupas íntimas da década de 20

Com a chegada do século XX, as mulheres ganharam roupas em formas mais curvilíneas, assim as peças de baixo não poderiam ser tão volumosas. Nesta época, a seda era vista como uma escolha natural é claro somente paras as mulheres mais ricas. Para as mulheres mais simples que sabiam costurar, o material mais usado pra confeccionar suas peças íntimas eram os sacos de algodão, que as mercearias usavam para embrulhar farinha, açúcar ou arroz, essa prática durou até meados da Segunda Guerra Mundial. Entre o período da Primeira e da Segunda Guerra mundial surge o Rayon, um novo tecido com o toque acetinado, com aparência de seda e com um preço bem em conta, rapidamente foi adotado para confeccionar as peças intimas das mulheres.

roupas íntimas da década de 30

Durante a Primeira Guerra Mundial foram fabricadas combinações mais curtas (até os joelhos) e em tecidos mais leves como a cambraia com apliques de rendas nas barras, essas peças refletiam a onda de liberdade que marcou esse período.

roupas íntimas da década de 40

Já durante a Segunda Guerra Mundial, devido à escassez de matéria primas, as mulheres voltaram as usar suas agulhas de tricô pra confeccionar todos os tipos de roupas incluindo calcinha e baby-dolls. Já as mulheres que serviam nas Forças Armadas recebiam calcinhas em tons utilitários, como cáqui, marinho, preto ou cinza e a modelagem era considerada a mais adequada para ser usada por baixo da saia na altura dos joelhos que compunha o uniforme. Essa calcinha logo foi apelidada de “espanta homens”, essa peça intima tinha um elástico na cintura e na altura das cochas para a mesma ficar bem agarrada ao corpo.

roupas íntimas da década de 50

Com o fim da Segunda Guerra mundial Christian Dior trouxe de volta a silhueta curvilínea e as lingeries vaporosas para o guarda-roupa feminino. Em meados dos anos 50 a modelagem mais usada ainda era o caleçon, mas as moças mais jovens tinham preferência ás subguetes mais justas e curtas. Elas eram confeccionas em náilon, liso ou estampado, com tecidos de acetato e muitas vezes recebiam acabamento de babados e rendas também sintéticos, mais fáceis de lavar e conservar.

roupas íntimas da década de 60

Na década de 60, o alcance dos tecidos de náilon e poliéster aumentou rapidamente. A moda pedia trajes femininos cada vez mais curtos e para acompanhar essa tendência, a lingerie tinha que ser mais ajustada ao corpo, como a calcinha tipo biquíni feitas de náilon stretch, ou as cores eram vibrantes com padronagens chamativas como amarelo-limão, rosa-choque, roxo, laranja, dentre outras. As  mulheres mais tradicionais ainda preferiam as peças intimas brancas ou em tons pastel.

roupas íntimas da década de 70

Logo apareceu o fio dental, uma única tira fina de tecido, ás vezes com enfeites aplicados costurada a uma faixa de elástico ao redor da cintura. Uma grande novidade criada pela Calvin Klein em meados dos anos 80 foi uma linha de cuecas para homens e mulheres.

No decorrer dos anos essa pequena peça sofreu muitas modificação, antes ela era necessária para cobrir a vergonha das mulheres recatadas, depois foi adaptada de acordo a mudança do vestuário, hora mais larga, cintura mais alta ou mais baixa, ou sem quase tecido.

Hoje essa peça vive releituras de épocas anteriores como as hot pants que foi muito usada nos anos 40 e 50, com novos tecidos e recortes. A calcinha também é sinônimo de sensualidade ou praticidade.

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Por Elizangela Gomes – Professora de moda da Sigbol Fashion

Referências: HAWTHORNE, Rosemary. “Por baixo dos panos: a história da calcinha”. São Paulo: Editora matrix, 2009.

Uma história íntima

O surgimento da calcinha

A roupa intima que é utilizada para a mesma função que usamos hoje em dia, que é de proteção, higiene e pudor, só surgiu quando o vestuário feminino sofreu mudanças, isso foi em meados de 1800, pois os vestidos que eram amplos, neste momento, se tornaram mais justos e curtos e eram confeccionados com tecidos mais leves e transparentes. Devido a esse fato surgiram o calção ou, como também era chamado, pantaloon. Este, em geral, chegava abaixo dos joelhos ou até os tornozelos e era confeccionado em um tecido de cor de carne semelhante ao das meias finas.

Por volta de 1820, essa peça íntima já fazia parte do guarda-roupa das duquesas em geral e no período do reinado da rainha Vitória ela determinou que todas as mulheres, que tinham algum poder aquisitivo, deveriam usar as roupas de baixo brancas e recatadas.

calcinhas ok

Do outro lado do Atlântico, em meados do século XIX, havia as pantalettes (calções folgados arrematados com babados nas barras), elas estavam presentes no guarda-roupa das mocinhas em 1820 e 1850 nos Estados Unidos. Como neste período os vestidos voltaram a ter volume e muitas anáguas, para facilitar a vidas das mulheres, as calçolas eram confeccionas em tecido de algodão e tinham aberturas entre as pernas com faixas para cada uma das pernas, para serem atadas por uma cinta larga e ajustada nas costas. Em meados de 1860, para estações mais frias, os calções eram confeccionados em tecidos mais pesados (flanelas e lãs mais grossas) para proteger e aquecer as partes íntimas das damas.

Inicialmente essa peça íntima era confeccionas à mão, mas em meados de 1851 com o surgimento da maquia de costura tudo ficou mais fácil, a novidade agilizou a confecção das peças íntimas. Com a moda das crinolinas os vestidos ficaram mais leves, por tanto as calçolas ganharam tecidos extras e ficaram mais longas, evitando deixar amostra os tornozelos das moças recatadas.

Dessa forma, a roupa intima se tornou obrigatória para toda moça de família e com a produção industrial, se tornou uma peça acessível para todas as mulheres.

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Por Elizangela Gomes – Professora de moda da Sigbol Fashion

Referências: HAWTHORNE, Rosemary. “Por baixo dos panos: a história da calcinha”. São Paulo: Editora matrix, 2009.