Tribos Urbanas – Sapeurs

Lenços de seda, calças de veludo rosa, ou casacos de tweed feitos por um alfaiate na favelas mais pobres da África, nada mais comum para qualquer habitante do Congo!

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A subcultura dos Sapeurs, os homens extraordinariamente bem vestidos do Congo, um fenômeno incomum na África.

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No meio de favelas destruídas pela guerra, e reconstruidas com pedaços de qualquer coisa, estes homens vestem-se com fatos feitos à medida. Elegantemente passeiam nas ruas, lamacentas, onde uma tábua serve para fazer de ponte, conseguindo manter os seus sapatos, orgulhosamente engraxados.

Sapeurs ou Dandismo no Congo não é nenhuma qualquer tendência de moda. É uma forma de viver que implica mais do que estar bem vestido. É quase como um código de conduta!

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“O hábito não faz o monge”, mas a roupa do Sapeur, torna-o um homem melhor!

Os dandies africanos remontam ao século 18, quando os escravos eram vestidos de uma forma elegante para encaixar-se nos ambientes luxuosos onde trabalhavam. Mais tarde, quando a escravatura foi abolida, muitos africanos livres já tinham começado a criar o seu próprio estilo dandy. Eram bem mais originais que os europeus, incorporando elementos diferentes, mas mantendo sempre a elegância!

O nome da subcultura dos Sapeurs vem da abreviatura ‘La SAPE‘ (Société des Ambianceurs et des Personnes Elegantes, ou a Sociedade dos Formadores de opinião e Pessoas Elegantes).

O primeiro ícone dos Sapeurs ou ‘Grand Sapeur’ foi André Matsoua, uma figura religiosa e política do Congo muito influente que, em 1922, ao voltar de Paris tinha por hábito utilizar roupa da corte européia.

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Outra persona importante para o desenvolvimento dessa subcultura foi Papa Wemba, uma estrela pop emergente na década de 60, que provocou a revolução de todo este estilo. Papa Wemba ficou conhecido como o La Pape de la Sape (ou o Pai do Sape) e tinha uma paixão louca pela moda francesa, fruto das suas várias viagens a Paris para espetáculos musicais.
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Durante muito tempo após a descolonização Belga, o Congo esteve sob regime ditatorial comandado por Mobutu (famoso pela sua preferência pelos padrões e peles tigrados) e qualquer associação com a cultura ocidental era severamente desaprovada e punida.

Papa Wemba tornou-se um simbolo visual de revolução que conseguia desafiar de uma forma um pouco mais visível tal regime, contra a privação econômica e ditadura política. Assim sendo criou a sua própria aldeia, onde manteve um conjunto de códigos morais com ênfase em elevados padrões de higiene pessoal.

Apesar de a maioria dos Sapeurs ter testemunhado, em primeira mão, toda a brutalidade e horror de três guerras civis, um Sapeur é uma pessoa não-violenta, é respeitoso e respeitável, e atencioso para com os outros. Um dos lemas mais importantes dos Sapeur diz algo como isto: “Vamos baixar as armas, vamos trabalhar e vestir-nos com elegância”.
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Por Mayara Behlau, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1 e 2

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