E o reinado Giannini chega ao fim!

A estilista Frida Giannini ocupou o cargo de diretora criativa da Gucci desde o ano de 2006, após a saída de Tom Ford. Aos poucos, Frida foi desvinculando da marca a identidade muito sensual, principal foco do trabalho de Ford, e buscando resgatar os itens característicos da Gucci em sua essência primordial, ou seja, linhas limpas e precisas, peças muito bem cortadas, casuais e comerciais, assim como suas raízes artesanais.

Frida Giannini

 

O CEO e presidente do Kering François-Henri Pinault, conglomerado que detem os direitos da marca, afirmou que “sou verdadeiramente agradecido a ela por suas conquistas, sua criatividade e a paixão que sempre incutiu em seu trabalho”. Porém, os números do jornal “The New York Times” mostraram o contrário, apontando que as vendas da marca estagnaram e, de fato, tiveram um fraco crescimento. O desempenho da Gucci não conseguiu se igualar ao das marcas menores, pertencentes ao mesmo grupo.

Alessandro Michele

A decisão de trocar um designer em tempos difíceis de mercado é uma decisão bastante corriqueira. Isso chacoalha o estilo da marca, e tende a romper padrões de estilo que perduraram durante anos. Com a chegada de Alessandro Michele, a Gucci mostrou um Inverno 2015 masculino mais ousado, com muito romantismo e referências retrô divertidas. A coleção feminina segue a mesma proposta, e propõem peças vanguardistas que não se via nas passarelas desde a saída de Ford. Alessandro aposta na feminilidade inspirada na androginia, sem a distinção marcada dos dois gêneros, e não se prende aos super decotes, fendas e peças ultra-justas.

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O reinado Giannini chegou ao fim, e isso refletiu nos pontos de venda da marca: filas gigantescas se formaram em frente a flagship do Shopping Iguatemi, em São Paulo, após o anúncio de que roupas e acessórios haviam entrado em liqueidação, com 50% de desconto. Os rumores apontam que o objetivo de Michele tenha sido limpar das prateleiras qualquer peça criada por Frida, exigência que fez a alegria dos fashionistas: em poucos dias, todos os produtos disponíveis haviam sumido das araras.

As apresentações de Michele certamente encheram os olhos da imprensa de moda. Mas somente a chegada, prevista para o segundo semestre, da nova coleção às lojas mostrará se o novo estilo cairá também no gosto dos fiéis clientes da marca.

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Por Danilo Centemero, estilista, empresário, VM, vitrinista e professor de Visual Merchandising e Vitrine da Sigbol Fashion

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