Pirarucu: dos rios da Amazônia para as passarelas internacionais

Na Amazônia, o desperdício das peles dos pescados após a limpeza dos peixes chega a até 183 mil toneladas anuais, material quem originalmente, era descartado por não servir ao consumo humano. Porém, atentando para esses números, um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (o INPA) conseguiu enxergar a possibilidade de transformar esse resíduo em material consumível e, posteriormente, produto comercializável. Desenvolveram então uma forma de explorar o curtimento do couro de alguns peixes para uso da indústria da moda, na confecção de roupas, bolsas, calçados e acessórios.

FOTO 01O grupo experimentou também trabalhar com peles de peixes regionais maiores, como o pirarucu, entre outros, e conseguiram obter couros diferenciados, resistentes, macios, fáceis de tingir e com texturas exclusivas. Cada peixe tem seu nicho de mercado: o surubim tem manchas e pintas que conseguimos manter no couro, já a pirarara tem um couro tão resistente quanto o do boi e o pirarucu tem uma malha muito diferenciada, resultante do processo adotado para a retirada das escamas.

O primeiro cuidado para conseguir uma pele com tanto aproveitamento foi a mudança da forma de separar as escamas do filé: a maneira tradicional “fere” muito a pele do pescado. No INPA, diversos tipos de corte foram testados e a equipe já ajustou um padrão para cada espécie de peixe. Nos curtumes modernos, os restos de carne e as escamas são retirados da pele com a ajuda de enzimas e com uma sucessão de processos também aperfeiçoados pelo grupo. Alguns estilistas badalados já estão de olho no potencial das peles de peixe no mundo da moda, em razão da exclusividade, novidade e sustentabilidade, pois trabalham com o que, hoje, seria descartado.

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O Pirarucu é um dos maiores peixes do Amazonas, e é popularmente conhecido como ‘’O gigante da Amazônia’’. Sua pele pode ser tingida em diversas cores, tais como bege, bambu, azul jeans, marrom e berinjela. Pode chegar a 3 metros de comprimento e pesar até 300 quilos. Além de pele, as escamas podem produzir diversos acessórios. Seu couro apresenta vantagens em relação ao bovino, por sustentar mais tensão, uma vez que suas fibras são entrelaçadas enquanto as dos bovinos estão dispostas paralelamente. Há seis anos, as escamas do pirarucu também se transformaram em matéria-prima, muitas vezes irreconhecível, para a criação de acessórios usados por muitas mulheres em capitais da moda, como Paris. É a sustentabilidade no Brasil ganhando espaço no exterior.

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Peças produzidas com o couro do Gigante da Amazônia pela grife carioca Osklen:

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Sapatos, vestidos e acessórios:

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Por Natalina Porto da Silva Melo, professora do Núcleo de Modelagem da Sigbol Fashion.

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8

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