Trabalhando com coolhunting, comportamento e consumo.

A cada temporada, enquanto centenas de coleções são desfiladas entre Nova Iorque, Londres, Milão, Paris e São Paulo – Rio, o que mais se discute é: em quais tendências apresentadas pelas maiores marcas de moda devemos apostar? O que vai sair das passarelas e dar a cara da estação pelas ruas? Desse jeito, só pela observação dos desfiles, pode ser mesmo uma aposta arriscada, pois a compreensão das tendências é mais abrangente e envolve todos os aspectos culturais que vão além da moda. E é para ajudar na compreensão das tendências que existem os profissionais do consumo – os coolhunters e pesquisadores, especializados em antecipar o que ainda será moda e dar forma ao futuro.

A pesquisadora Laiza Martins teve a primeira experiência com os estudos do consumo quando ainda estava na graduação: “Acho que descobri que trabalharia nessa área quando tinha apenas 19 anos e ainda estudava Letras na minha cidade natal, no interior do estado do Rio de Janeiro. Minha professora de sociologia tinha pedido para analisar um dos bairros da cidade (sua história, sua essência, seus valores, até mesmo suas patologias sociais)”. O encantamento com as descobertas desse primeiro contato, que proporcionou um conhecimento profundo através das próprias pessoas e seu território, despertou a paixão em conhecer cada vez mais a essência dos lugares.

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Em sua atuação profissional junto ao Future Concept Lab (empresa italiana, com sede em São Paulo, especializada em pesquisa de mercado e tendências de consumo, no qual a observação dos comportamentos suporta a consultoria estratégica para a inovação), descreve o contínuo interesse em manter-se informado sobre tudo que acontece no mundo como essencial para o profissional, que dever estar “sempre observando e monitorando a sociedade, os comportamentos, os valores, os territórios (reais e virtuais), os setores, os mercados, o indivíduo, o velho, o novo…”.

Esse conhecimento aplicado ao desenvolvimento de uma coleção de jeans resultou em premiação. “A pesquisa de comportamento e a técnica de coolhunting foram ferramentas essenciais do meu processo projetual na busca por inovação industrial na área têxtil.
Por meio da observação das expressões do modo de vestir peças em jeans e de aplicação de design thinking, alcancei uma linguagem moderna e contemporânea para minha coleção final de jeanswear e fui premiada pelo melhor projeto de inovação científica e tecnológica do Estado do Rio de Janeiro em 2008.”

A competência para articular as informações de moda vindas das passarelas aos conhecimentos sobre a cultura local do mercado atendido e a realidade das pessoas que vão vestir as roupas exige estudo e concentração, mas é um diferencial para exercer qualquer função no mercado de moda. Com a velocidade da comunicação (intensificada pelas redes sociais e blogs) e da produção (no modelo fast-fashion de empresas como Zara e C&A), estar seguro sobre o look que as pessoas desejarão na próxima estação é uma tarefa que exige gosto pela moda, mas também técnicas de pesquisa e análise que envolvem as mais diversas áreas.

“Por isso, o consumidor irá adquirir cada vez mais poder nas dinâmicas do mercado (inclusive da moda) exigindo produtos belos, atraentes, mas também éticos e sustentáveis. Além disso, as empresas deverão ser transparentes nos processos de produção, verdadeiras na comunicação, interativas com o usuário em um constante relacionamento baseado na credibilidade, lealdade e participação e propor padrões de intensidade de experiência com a marca”.

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A ideia da moda como uma “ditadura” pertence ao passado. Estamos em uma época em que o público tem uma diversidade nunca antes vista de opções de produtos, marcas e estilos, além de canais para expressar suas opiniões positivas ou negativas ao que a moda propõe. “O consumo é parte de uma experiência humana e não o contrário. Estar em sintonia fina com a vida real das pessoas deve ser uma prioridade para tomadores de decisões, para marcas e designers”. E então, pronto para conhecer de perto o seu consumidor?

Laiza Martins tem 32 anos, é formada em Letras, design de moda e marketing estratégico, com mestrado em Milão e foi integrante do Milan Network for Design em 2010, tem 8 anos de experiência em pesquisa de tendências. Atuou com coolhunting, análise e pesquisa para o Future Concept Lab Itália e, em 2010, tornou-se Pesquisadora de Comportamento e Consumo do FCL do Brasil, fazendo parte de projetos ad hoc solicitados por empresas nacionais e internacionais.

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Por Priscila Carvalho – Comportamento do Consumidor

Referências: 1, 2, 3, 4

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