Voltando às origens – Moda e Arte na contramão do fast fashion

A evolução pela qual passou a moda em toda a sua história, e o “boom” capitalista que se tornou, se deve à revolução industrial e a produção em massa. Antes disso, os processos eram artesanais, envolvendo arte, sonhos, mãos habilidosas, pensamentos vagando entre agulhas e toda a sensibilidade que isso provoca – Não que hoje isso não exista mais, mas os processos industriais dominam e muitas vezes, bloqueiam um pouco o criativo, em uma corrida por produção, vendas exorbitantes e lucro imediato.

Enquanto isso na contramão, sobrevivem artesãos, costureiras, alfaiates, bordadeiras, crocheteiras entre outros profissionais que, mantendo tradições, sem pressa nem atropelos, mantém viva a arte da encomenda, do sob medida, da produção artesanal.

E não pensem que os sobreviventes são as vovós e titias! Despontou agora um movimento de “Slow Fashion” em que a produção artesanal tem superado a ansiedade por vendas e driblado a estrutura escravocrata, e dois nomes despontaram nessa trilha: Gabriel Pessagno, com seus bordados e Gustavo Silvestre, com seus crochês.

Gabriel Pessagno cursou moda  e após passar pelas estruturas rígidas da indústria, montou uma marca (River) e, insatisfeito, optou por pesquisar o trabalho feito nas maisons e deciciu que queria trabalhar cada peça de roupa artesanalmente.  

Gabriel já fez bordados para a marca Tilda, para ateliês de moulage e está iniciando sua produção. Assim, o garoto que fez roupas bordadas com parafusos, porcas, entulhos e pedaços de ferro velho para o TCC de seu curso de moda, está só no começo de uma carreira que promete deslanchar com muita sensibilidade e sucesso.

1, 2 e 3

            Gustavo Silvestre é natural do Recife, fez diversos cursos na área, ganhou prêmio de moda em Brasília e participou da Casa dos Criadores. “Até que fui pra China, havia uns investidores interessados no meu trabalho, a ideia era baratear a produção, que sempre teve essa coisa do manual, da estampa à mão. Voltei decepcionadíssimo. Ver aquela quantidade de roupas sendo feita, eles me perguntando ‘quantos contêineres você vai querer’, a estrutura deu um nó na minha cabeça”, conta o estilista. E após parar, repensar e respirar, acabou descobrindo uma nova trilha, e com a Stylist Chiara Gadaleta, do projeto Mãos do Brasil, mapeou comunidades de artesãos e com isso, acabou pegando gosto pelo crochê e resolveu aprender a técnica. Gustavo se diz muito mais realizado agora, atendendo com hora marcada e divuldando sua obra pelas redes sociais, “Eu não tenho escravo, está bem mais prazeroso. Ganhei uma cadeira de balanço, sento lá e se deixar, passo o dia me balançando e fazendo crochê”, conta. O estilista que já vestiu Karina Bu, Céu e Vanessa da Mata, agora prepara uma coleção de jóias de crochê para a estilista Adriana Barra.

4, 5 e 6

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Por Camilla Capucci – Professora do núcleo de moda da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2 e 3.

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